Editora Mundo Maior

Despertando Conhecimento

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Níveis de consciência e o futuro

 

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Mário Frigéri

 

“Temos registrado em nós o futuro até aquele ponto em que o vivemos,

 quando fomos transferidos para a Terra, provenientes de mundos superiores.”

 

A consciência é fácil de ser imaginada, mas difícil de ser definida. Podemos dizer, de forma leiga e descomplicada, que consciência é o núcleo essencial e pensante do Espírito imortal criado por Deus, a quintessência do ser psíquico, onde está insculpida a Lei divina, como revelaram as Entidades superiores a Allan Kardec. É o Eu superior infuso na individualidade, em torno do qual orbitam sucessivamente, através das reencarnações, todos os “eus” menores representados pelas várias personalidades, e que vão sendo abandonados ao longo do caminho, assim como a ovelha, por onde passa, deixa tufos de lã enredados nos espinhais na charneca.

Carl Gustav Jung, fundador da psicologia analítica, sonhou, em 1909, que se encontrava em uma casa estranha, mas que, de certa forma, lhe pertencia. Ela estava dividida em três andares: no andar superior havia móveis modernos, no andar térreo, mobília medieval, e o porão estava cheio de antiguidades românicas. Havia também uma escada estreita de pedras que conduzia a uma caverna pré-histórica, que ele se viu tentado a explorar. Ao acordar, interpretou o próprio sonho: havia no inconsciente humano outros níveis mais primitivos, que ele devia explorar.1

Graças aos apontamentos de André Luiz, podemos desfrutar também das reflexões do Instrutor espiritual Calderaro acerca dos vários níveis de consciência. A imagem de que ele se utiliza é a mesma de Jung, mas começa agora pelo primeiro andar.

Diz ele que nosso cérebro (mente ou consciência) é como um castelo e se divide em três regiões distintas ou andares: “no primeiro situamos a ‘residência de nossos impulsos automáticos’, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo localizamos o ‘domicílio das conquistas atuais’, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a ‘casa das noções superiores’, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles moram o hábito e o automatismo; no outro residem o esforço e a vontade; e no último demoram o ideal e a meta superior a ser alcançada”. E conclui: “Distribuímos, deste modo, nos três andares, o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos, em nós mesmos, o passado, o presente e o futuro”.2

Para o eminente psicólogo russo Peter D. Ouspensky, discípulo de Georges I. Gurdjieff, existem dois grupos de seres humanos: o fisiológico e o psicológico. Os indivíduos fisiológicos (do queixo para baixo) são aqueles que voltam sua percepção consciente apenas para a satisfação de suas necessidades básicas, ligadas às sensações e satisfação dos desejos corporais, como comer, dormir e copular.

Já os indivíduos psicológicos (do queixo para cima) são aqueles que – além de comer, dormir e copular – estendem seus interesses a um nível mais alto, ao campo das emoções e dos sentimentos. Globalmente, esses indivíduos dos dois grupos são classificados em quatro níveis de consciência:

  1. Consciência de sono – indivíduos que só pensam em si e em seus interesses, recusando-se a aceitar o progresso e a evolução pessoal, alheios à realidade dos sentimentos e da realização espiritual. Os valores ainda dormem no homem. Tudo está em estado de latência. Não têm aspirações. Neles o Divino hiberna, à espera do despertar. São os homens fisiológicos.
  2. Consciência desperta (ou lúcida) – indivíduos que estão em processo de despertamento para níveis menos egoístas de percepção da realidade e que buscam seu desenvolvimento pessoal e uma vida melhor. Os valores começam a acordar. O ideal já interessa, mas para ser explorado. Começam a surgir pensamentos mais bem coordenados, ações mais disciplinadas, sentimentos de contradição e de impossibilidade. O homem já distingue entre o Eu e o Não Eu. Pensa antes de agir, faz tudo o que fazem os fisiológicos, mas vai além, visando à vida, não vive só para isso. São os homens psicológicos.
  3. Consciência de si – indivíduos que se percebem autoconscientes, que reconhecem a mente além do corpo físico, e que por isso fazem a si mesmos perguntas que se esforçam por responder (quem sou, de onde venho, que faço aqui, por que sofro, para onde vou), iniciando um processo de autoconhecimento. Nesse nível o homem começa a ter consciência de que não é somente a máquina (o corpo), mas uma psique ou inteligência superior que pode controlar a máquina. O ser usa a razão em benefício da vida. Ele anela pelo ideal e busca o êxtase. É quando projeta vida no que faz, à semelhança dos grandes artistas e santos. Já desfruta da intuição.
  4. Consciência objetiva (ou cósmica) – indivíduos em que o egocentrismo já está superado, que se veem claramente na sua totalidade e se tornam parte de um todo pelo qual se sentem responsáveis. Neste nível eles vivem a plenitude do ideal. A verdade é real e não mais relativa. A consciência cósmica é profunda e extrafísica. São os seres que pairam acima do gênero humano e o impulsionam e dirigem. Deixam de pensar em si para pensar na humanidade. Atingem o estado místico superior.

Cerca de 80% dos seres humanos compõem o primeiro nível, e uma quantidade infinitesimal compõe o último.3

                                                 O uso do livre-arbítrio

 

Voltando a Calderaro, aprendemos que possuímos em nós o subconsciente, o consciente e o superconsciente, ou, por outras palavras, o passado, o presente e o futuro. Tudo o que vivemos, em todos os tempos, no campo do bem e do mal, é registrado automática e indelevelmente em nossos arquivos psíquicos, tornando-se asas que nos libertam ou grilhetas que nos prendem durante a nossa marcha evolutiva. Temos em nós o passado, porque já o vivemos. Temos em nós o presente, porque o estamos vivendo. Mas como podemos ter em nós o futuro, se ainda não o vivemos? Ainda não o vivemos? Engano. Já o vivemos sim. Temos registrado em nós o futuro até aquele ponto em que o vivemos, quando fomos transferidos para a Terra, provenientes de mundos superiores.

Diz o conspícuo Codificador do Espiritismo, reproduzindo o ensino das Entidades superiores, que há transfusões periódicas, de imensas colônias de Espíritos, de mundos superiores para mundos inferiores. Ao chegarem aqueles mundos a um de seus períodos de transformação, quando devem ascender na hierarquia do Cosmos, a parcela física e espiritual da população que os habita e que, apesar de sua inteligência e de seu valor, se aferra às diretrizes do mal, é degredada para planetas inferiores, a fim de não perturbar a tranquilidade e a felicidade dos bons que irão permanecer naquelas radiantes esferas. A raça adâmica foi composta por uma (ou várias) dessas colônias. Esses Espíritos, ao encarnar em nosso mundo, demonstrando o poderoso diferencial evolutivo de que eram portadores em relação ao novo meio, já na segunda geração “constroem cidades, cultivam a terra, trabalham os metais”, trazendo imenso progresso aos povos primitivos entre os quais vieram habitar.4

Para entendermos melhor essa transmigração compulsória e reeducativa de almas de um planeta para outro, precisamos recuar um pouco no tempo e relancearmos nosso olhar sobre a origem do Espírito.

Ensina Emmanuel que o Espírito, em sua evolução universal, quando chega àquele estágio em que começa a transitar do instinto para a razão, adquire o precioso dom do livre-arbítrio e inicia sua trajetória como ser raciocinante, podendo escolher entre seguir a estrada do bem ou a do mal. Os que escolherem a do mal, são colhidos pelas malhas do orgulho, da vaidade, da ambição ou do egoísmo, iniciando-se em experiências penosas nos vários departamentos corretivos da casa do Pai. Esse reciclamento espiritual pode ocorrer em vários estágios da marcha evolutiva, não somente na Terra, porque há vários níveis de correção assim como há vários níveis de mundos no que tange a seu grau de evolução.5

Kardec, por sua vez, estabelece o primado espiritual da livre-escolha: os que são maus assim se tornam por sua exclusiva vontade. O livre-arbítrio mais se fortalece quanto mais o Espírito adquire consciência de si mesmo, e aqui está a chave para se entender essa perigosa bifurcação da vontade a que está sujeito o ser consciente: uns cederam à tentação por livre escolha, enquanto que outros resistiram. Os que resistiram, por conseguinte, não necessitam de qualquer tipo de correção.6

 

                                                 O futuro infuso em nós

 

Voltemos agora à tese do futuro infuso em nós, que interrompemos para falar da trasladação das colônias de Espíritos (visto que ambos estão intimamente conectados). Dando sequência ao raciocínio lógico de Kardec e incluindo-nos, infelizmente, nessa imensa falange de Espíritos transferidos para a Terra, suponhamos, por analogia, que o mundo superior em que vivíamos estivesse no ano 5015 d.C. quando ocorreu a nossa transferência, em dois níveis: do mundo superior para o inferior e do futuro para o passado. Já que estamos, aqui na Terra, no ano 2015 d.C. (data em que é redigido este texto), temos um filme com 3000 anos de história futura infuso em nós e rebobinado em nosso superconsciente, período que vivemos lá e que será reprisado aqui. É urgente desenrolarmos esse filme e nos conscientizarmos de seu conteúdo, pois, como aprendemos em nossa Doutrina, só voltaremos realmente a adquirir conhecimentos novos quando reatingirmos aquele ponto em que nos encontrávamos, quando fomos exilados. Até lá, apenas recordaremos e revelaremos o que já existe em nós, e que é fruto de nosso próprio esforço, concretizando-o no mundo exterior.

Devido ao acesso, por intuição, a esses registros futuros que se encontram introjetados em nossa alma, podemos estabelecer relações entre o que ocorreu lá e o que deverá ocorrer aqui, porque a história se repete com pequenas variações em todos os mundos que se encontram dentro dessa mesma faixa de evolução, que abrange alguns milhares de anos.  O futurível – ou futuro próximo e possível – deste planeta está escrito em caracteres indeléveis nos penetrais de nossa alma (superconsciente), que Deus, através dos profetas, exteriorizou nas profecias. E nós, os seres humanos, vislumbramos isso porque já vivemos esses fatos, no futuro, em outros mundos.

Se conseguirmos acessar o nosso superconsciente ou decodificar as profecias, ficaremos hipoteticamente senhores de 3000 anos de história que ainda está por acontecer, levando-nos esse conhecimento forçosamente de volta para o futuro. Só 3000 anos neste exemplo que estamos dando, mas, dependendo da gravidade da falta, o Espírito pode ser mergulhado no túnel do tempo pela Providência divina e projetado no pretérito por verdadeiras “eternidades”, ainda inimagináveis para nós. O acesso a esse arquivo pode ser uma impossibilidade fatal para os que se encontram em consciência de sono, mas não para os que se encontram em processo de aquisição da consciência de luz, porque, para estes, premonições e reminiscências do futuro são fenômenos naturais em sua mente.

Jung falou em inconsciente coletivo, que seria o subterrâneo profundo da psique humana, traduzido em um conjunto de sentimentos, pensamentos e lembranças compartilhados por toda a humanidade. É uma herança coletiva, segundo ele, recebida não somente dos antepassados do homem, mas também dos animais. As massas não se lembram das imagens, ou arquétipos, de forma consciente, mas herdam uma predisposição para reagir ao mundo da mesma forma como seus ancestrais faziam.

Imaginemos, agora, não esse inconsciente junguiano pretérito e aparentemente restrito às experiências terrenas, mas – e aqui queremos cunhar a expressão – um inconsciente coletivo futuro, vivenciado em orbes superiores, armazenado nos estratos profundos do ser, e que as massas degredadas para a Terra (tal como visto em Kardec) trouxeram embutido em si, contendo os eventos apocalípticos ocorridos naquele plano quando de sua expulsão de lá. Quando, em breve, esses fatos começarem a se repetir por aqui, em cumprimento às previsões de Jesus em seu sermão profético sobre o final dos tempos, a humanidade, com sua percepção espiritual agora aguçada pela angustiosa expectativa desses acontecimentos já conhecidos e sofridos, os perceberá de pronto, e o mundo, alucinado pelos flashes dessas recordações aturdentes, irá misturar-se como as vagas do oceano.

Se Freud e Jung tivessem assestado seus poderosos holofotes nessa direção, ter-nos-iam certamente apresentado pérolas indescritíveis desse nosso oceano íntimo e superior ainda inexplorado. É da Lei, porém, que cada coisa só deva aparecer no tempo em que possa ter legítimo proveito.

                                               Despertar e iluminar-se

 

Embora o assunto seja fascinante e comporte mais profundas inquirições, devemos, muito a contragosto, mudar agora de direção. Não só o futuro próximo está registrado em nós. O pretérito ilimitado e profundo também está. Jung, como vimos, emprega uma imagem onírica muito preocupante: fala-nos de uma estreita escada de pedras que, do porão de nosso subconsciente, desce para uma caverna pré-histórica e desconhecida que ele se viu tentado a explorar. Não há como não sentir um calafrio na alma quando pensamos no que poderá haver nesses abismos insondáveis que enegrecem ainda mais o lado sombra de nossa individualidade, nascidos de uma ancestralidade estratificada em nós e vivida nos reinos primários da natureza, cuja extensão e abissal profundeza estamos longe de imaginar.

A respeito desses vários níveis de consciência, devemos enfatizar que todo ser humano tem, desde sua origem como Espírito, esse simbólico edifício de vários pavimentos dentro de si, e que o estado primitivo de sono da consciência é uma fase natural da caminhada evolutiva, visto que todo ser passa necessariamente por ele. Mas se ele é invencível no animal (que evolui pela impulsão natural das coisas), não o é no homem (o qual pode imprimir a velocidade que desejar a seu progresso). O homem deve superá-lo através de um esforço contínuo e titânico, até ver o sol da espiritualidade fulgurar em sua alma. Deve superá-lo o mais rápido possível e transitar do instinto à razão, da razão à intuição, e da intuição à unidade cósmica, escalando seu Tabor íntimo degrau a degrau, ou pavimento a pavimento, até atingir a iluminação da consciência.

Dos vários andares da casa, o homem, normalmente, em seu estágio atual, ocupa apenas os dois primeiros. Do primeiro nível de sono profundo, ele passa ao segundo, com lampejos de despertamento, ou sono desperto. Aqui ele ainda se encontra semiadormecido, mas pensa que está acordado. E para que desperte é preciso conscientizá-lo de que está dormindo; sem isso, ele não fará o esforço necessário para acordar. E os andares seguintes, de nível superior, são ocupados por uma porcentagem mínima da humanidade, mas que pode ser detectada pela obra que cada um de seus componentes realiza, visto que os frutos é que dão notícia da proficiência da árvore.

A maioria esmagadora do gênero humano ainda está dormindo o sono da inconsciência. Queda-se, em seu estupor de criatura sonolenta ou ensonada, à espera de que uma alma superior, anônima e caridosa, lhe dirija um aceno de mão, uma palavra amiga ou um livro iluminativo que a possa arrancar dessa insensibilidade existencial profunda, que ela desconhece e, se conhecesse, não conseguiria imaginar o fim.  É preciso abrir sua mente, com sutileza e doçura, para essa verdade, pois se ela permanecer na ilusão de que está acordada, não promoverá as ações necessárias para elevar-se aos níveis superiores.

Mas, para que o homem se torne instrumento desse divino despertar alheio, é-lhe necessário, antes, implementar o seu próprio despertamento espiritual, como ensina São Paulo:

“Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos e o Cristo te iluminará.” (Efésios, 5:14.)

 

 

Referências:

1Seleções do Reader’s Digest, julho/1986, “Jung, o sábio de Zurique”, p. 97.

2LUIZ, André. No mundo maior, 7ª ed., Rio de Janeiro: FEB, 1977, p. 47.

3OUSPENSKY, Pedro D. Fragmentos de um ensinamento desconhecido, 13ª ed.  São Paulo: Editora Pensamento, 1998, passim, e Internet.

4KARDEC, Allan. A gênese, 45ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004, cap. XI, itens 38 a 49.

5EMMANUEL/ Francisco C. Xavier. O consolador, 7ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977, itens 248 e 249.

6KARDEC, Allan. O livro dos espíritos, 1ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006, itens 121 e 122. (Tradução de Evandro Noleto Bezerra.)

Artigo publicado em Reformador, mensário da FEB, em fevereiro de 2016. Todos os destaques do artigo são nossos.

 

Mário Frigéri é autor da Mundo Maior Editora. Contato: mariofrigeri@uol.com.br

 

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Viver o Natal

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Por Mário Frigéri

É costume entre os escritores do mundo inteiro estampar nos jornais um conto triste na véspera de Natal para sensibilizar o coração de seus leitores. Eu não tenho nenhum conto inédito e tocante para contar à meia dúzia de amigos que me leem por desfastio, por isso vou reescrever e condensar um de Hans Christian Andersen sobre uma menininha pobre que vendia fósforos, imprimindo-lhe meu colorido pessoal.

Fazia muito frito naquela noite escura e a neve estava caindo mansamente. Era véspera de Natal e as luzes festivas brilhavam através da vidraça das janelas. Uma garotinha pobre, vestida com uma roupinha limpa, mas remendada, e sem nenhuma proteção na cabeça, caminhava pelas vielas, oferecendo palitos de fósforo aos raros passantes que buscavam apressadamente seus lares. Seus pés descalços tocavam e absorviam a frieza do solo, porque ela havia perdido seus chinelinhos na neve ao fugir pouco antes de uma carruagem desgovernada.

Não havia vendido nada até aquele momento e ninguém, nem mesmo por caridade, lhe oferecera qualquer moedinha de alguns vinténs. Trêmula e faminta, continuou caminhando pela rua quase deserta, sentindo o cheiro delicioso da ceia de Natal que se evolava das casas. “Ah, é véspera de Natal…” lembrou-se, tão perdida estava em seus pensamentos, recordando-se dos familiares, que a aguardavam em casa, à espera de alguns trocados que lhes diminuíssem a miséria.

Cansada e um pouco desanimada, sentou-se num desvão da esquina, encostando-se à parede áspera de uma velha casa. Seus pezinhos estavam congelados e ela sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não havia conseguido nem um tostão e seu pai poderia surrá-la por isso. Além de tudo, sua casa também era tão fria quanto aquela rua.

Com as mãozinhas trêmulas ela pegou um palito de fósforo e pensou em riscá-lo para aquecer-se um pouco. Conseguiu esfregá-lo contra a parede, e a sua chama quente e colorida parecia uma vela! A garotinha inocente sentiu-se como se estivesse sentada diante de uma grande fogueira. Como era gostoso sentir o calor que aquela chama lhe transmitia! Logo que a luz se apagou, riscou outro, e mais outro, e mais outro…

Levantando-se um pouco até a vidraça e voltando o rostinho para dentro da casa, pôde ver no meio da sala uma mesa coberta com uma toalha alva como a neve, e sobre a toalha finíssimas porcelanas para o jantar. O ganso assado sobre a mesa, e recheado com ameixas e maçãs, enchia o ar com um cheiro delicioso e convidativo. Ela estava tão trespassada que teve a impressão de que o ganso, vendo-a tão triste e sozinha, saltara da travessa e viera correndo em sua direção… Nesse momento o fósforo se apagou e ela, caindo na realidade, se viu olhando novamente apenas para aquela parede fria na qual se encostara. Coitadinha! Parece que já estava delirando de fome e frio…

Acendeu outro fósforo e em sua luz maravilhosa imaginou-se sentada sob uma linda árvore de Natal. Centenas de lâmpadas piscavam em seus ramos verdejantes. A menininha estendeu os braços em direção a elas e seu fósforo se apagou. As luzes pareciam estar cada vez mais distantes. Então percebeu que já não eram mais as pequeninas lâmpadas da árvore que estava olhando, mas as estrelas do céu que tremeluziam no infinito, entre nuvens escuras, sobre a sua cabeça. Nesse momento viu uma estrela cadente cortar o céu e lembrou-se de sua avozinha, já falecida, que a amava tanto e que um dia lhe havia dito: “Quando uma estrelinha risca o céu é porque uma alma está subindo para Deus”.

Riscou então o último fósforo que trazia e viu dentro de sua luz a imagem da avozinha querida, tão linda, tão meiga, tão doce! “Vovó”, murmurou, já quase sem forças, “me leve com você! Eu sei que quando o fósforo se apagar a senhora vai desaparecer também”. A sua avozinha nunca lhe pareceu tão bela e graciosa! Vovó então pegou a menininha nos braços e foi voando para bem longe deste mundo, deixando atrás de si uma esteira evanescente de luz. Ela estava levando a garotinha para um lugar distante onde não havia frio, nem fome, nem medo, nem falta de amor… um lugar onde é a morada de Deus.

Na manhã seguinte os transeuntes encontraram uma menininha deitada na neve, com o rostinho encostado na parede, trazendo um sorriso doce na face – ela havia morrido de frio na véspera de Natal. E as pessoas, vendo tantos palitos de fósforo queimados em seu derredor, diziam umas para as outras: “Ela queria se aquecer, pobrezinha!”

                                                     O outro Natal

Imagino um outro final para esse conto, um final feliz. A avozinha diria à querida neta que batesse à porta daquela casa, pois seus moradores eram bondosos e certamente a acolheriam alegremente em seu lar, o que realmente aconteceu. E logo em seguida, todos iriam visitar a família da menininha para levar uma parte da ceia e confraternizar com ela pelo resto da noite. E assim tudo terminaria entre luzes e festas.

Seria ingênuo imaginar que no mundo inteiro, com pequenas variações, não aconteçam dramas como esse, mas isso é decorrente da frieza do coração humano e não do Natal de Jesus. Jesus era alegre e deixou uma mensagem de alegria para todos aqueles que desejassem alimentar-se de seu Evangelho e seguir seus luminosos passos.

O Natal de Jesus, cuja mensagem se estende radiosa por toda a sua existência, traduz júbilo e felicidade, desde o anúncio de seu nascimento feito pelos anjos, que traziam ao mundo “uma boa nova de grande alegria para todo o povo”, até suas últimas palavras de perdão na cruz, porque o perdão só pode nascer de uma alma jubilosa e nunca de um coração amargurado.

Muitas vezes o Evangelho diz que Jesus exultava em espírito e agradecia a Deus pelas revelações que o Pai lhe permitia transmitir aos pequeninos. Outras vezes, Ele exortava o povo a se alegrar e erguer as suas cabeças, porque a redenção de cada um estava próxima. Segundo Jesus, o homem que descobre o reino dos Céus, vai e, “transbordante de alegria”, vende tudo o que tem para adquirir aquele reino. “A vossa tristeza se converterá em alegria”, disse Ele a seus seguidores presentes e futuros. “Outra vez vos verei, o vosso coração se alegrará e a vossa alegria ninguém poderá tirar. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa”. E no dia da ascensão, abençoou seus discípulos e exortou-os a irem por todo o mundo pregar a todas as criaturas a boa nova, a boa notícia, a notícia alvissareira da ressurreição.

Contrariando a essência pacífica e jubilosa dessa mensagem, estudos e estatísticas revelam que nessa época de festas muitas pessoas se sentem solitárias e tristes no recesso de seus lares, enquanto outras se tornam consumistas por compulsão, comprometendo seu orçamento por todo o ano seguinte. São transtornos psicológicos de comportamento e sua solução é muito simples, está no Evangelho, e só não a encontra quem não a procura. Quando o ser humano entroniza o Evangelho no coração, o solitário triste se torna solidário feliz, dando e recebendo afeto em seu relacionamento com a comunidade, e o esbanjador compulsivo se torna adquirente moderado, porque passa a entender a impermanência das coisas, convertendo-se em senhor de sua vida e não em escravo de seus credores.

É claro que, se Andersen, como profundo conhecedor da psicologia humana e de sua vocação para o trágico e o patético, tivesse encerrado seu conto com um final feliz, ele não teria feito tanto sucesso. Há em tudo isso uma certa inversão de valores, a mesma inversão que ocorre nos dias de hoje, principalmente no que tange aos valores espirituais. Para dar um exemplo simples, basta lembrar que, graças ao martelante comercialismo da mídia e à passiva indiferença dos pais, Papai Noel, na época do Natal, faz mais sucesso no coração das crianças do que o próprio Jesus, que é a estrela do dia. O certo seria que o simpático e repolhudo velhinho fosse apenas um coadjuvante da alegria geral, e não o protagonista.

Está nas mãos dos operários da Nova Era o restabelecimento desse equilíbrio no mundo e o resgate da manifestação do verdadeiro sentimento natalino nos corações humanos. Eles devem ensinar o ser humano não só a festejar, mas a vibrar de felicidade nessa época e a viver o Natal. A viver e sentir o Natal, acima de tudo, com Jesus.

Mário Frigéri é autor da Mundo Maior Editora. Contato: mariofrigeri@uol.com.br


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Preconceitos

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Por Lourdes Carolina Gagete

PRECONCEITO: [do Latim praeconceptu] S.m. 1- conceito ou opinião formados antecipadamente, sem maior ponderação ou conhecimento dos fatos; ideia preconcebida. 2- Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta os fatos que os conteste; prejuízo. 3- P.ext. Superstição, crendice, prejuízo. 4- P.ext. Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc. (Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa).

O preconceito é característica de pessoas afoitas no julgar, inconsequentes, levianas e profundamente imaturas espiritualmente. Revela-se por atitudes hostis que podem desencadear agressões físicas e morais. Pode também se manifestar pelos pensamentos. Assim, muitas vezes não o revelamos por palavras, mas o revelamos por pensamento: Que gorda! Que magricela! Que roupa fora de moda! Que linguajar caipira… etc.

O preconceito está enraizado no ser humano tal qual o egoísmo, a maledicência, a inveja… e por mais que afirmemos não sermos preconceituosos, vamos constatar que bem lá, nas regiões abissais da alma, disfarçadinho, dissimulado, ele impõe seu jugo.

O preconceito racial, por exemplo. Se interrogarmos alguém, ele vai dizer que, absolutamente, não é racista; que entende a igualdade de todos perante Deus e que a cor da pele não confere superioridade ou inferioridade à criatura.

Poderá até estar sendo sincero naquele momento, mas se algum negro se aproximar, inconscientemente, ele leva a mão ao bolso num sinal de desconfiança. E, enquanto ele vigia o negro, o branco lhe surrupia a carteira.

O policial vê um negro e um branco. Quem ele vai abordar? Já sabemos a resposta.

Incoerentemente, constatamos que negros também podem ser racistas. É que, talvez, o estigma do passado, todo sofrimento de terem sido explorados como animálias, tenham-se-lhes ficado impregnado na alma. Hoje, infelizmente, por mais que se negue, ainda o preconceito contra eles é muito evidente.

Podemos acrescentar também os homossexuais que sofrem desse mal descaridoso e descabido. Os preconceituosos chegam ao absurdo de agredi-los com palavras insultuosas e até com a morte, numa covardia e desumanidade sem precedentes.

Lembremos, ainda, o preconceito contra a mulher. No passado, ela valia menos do que um animal somente por ser mulher; era aceita apenas como procriadora. Os direitos eram sós para os homens. Elas tinham apenas obrigações. Hoje, se a mulher conquistou o seu espaço, foi porque a sociedade precisou de mão de obra barata; porque precisava-se executar trabalhos que os homens desprezavam e, acima de tudo, porque teve acesso aos estudos.

Percebemos que, mesmo na atualidade, com tantas conquistas, em qualquer profissão, executando o mesmo trabalho, o salário do homem é – salvo raríssimas exceções – superior ao da mulher.

Na Idade Média, era tal o preconceito contra a mulher que se questionava se ela realmente tinha uma alma.

Infelizmente, ainda hoje, principalmente nos países do Oriente Médio, a mulher sofre preconceitos de toda ordem. É considerada inferior e de pouco valor. Ao homem, tudo e à mulher apenas o direito de respirar para continuar viva como serviçal da família e ou do marido.

As Leis nesses países divergem de forma vergonhosa, sempre beneficiando o sexo masculino e estigmatizando o feminino.

Porém, de todos os preconceitos, o religioso é o mais incoerente e absurdo. Despreza-se uma pessoa porque ela professa uma religião contrária à do outro. Então, no passado, tivemos as perseguições da igreja católica contra os protestantes. Quem não conhece a matança daquilo que ficou conhecido na História como a noite de São Bartolomeu? Quantos perderam a vida em nome de um preconceito absurdo onde se pretendeu afirmar a supremacia de uma religião à outra com um processo tirânico e totalmente contrário ao Cristianismo? E o que não dizer das Cruzadas em nome de Deus? Das mortes nas fogueiras? Das perseguições sanguinárias àqueles que eram acusados de heresia?

E os primeiros cristãos de Roma, de Jerusalém, perseguidos e caçados para morrerem no circo, devorados por leões? Porque abandonaram os deuses pagãos para seguir o meigo rabi Jesus, gerou-se um preconceito que levou muitos a perderem a vida.

Mesmo o Espiritismo foi perseguido pelo preconceito; taxado de demoníaco até a bem pouco tempo. Ainda hoje percebemos que há muita desinformação geradora de preconceitos por parte de pessoas que se põem a falar sem o menor conhecimento de causa.

Um lugar existe que, com certeza, o tempo parou: Em alguns países do Oriente Médio. Lá, o preconceito religioso é qualquer coisa de insano. De absurdo. De demência total. Algumas vertentes do Islamismo realizam atos de terrorismo a fim de impor sua religião; seu “Deus” sanguinário. Matam inocentes, civis e militares, com uivos de “Deus é grande”.  E se suicidam, pois acreditam que matar ou morrer pelo seu Deus, é um agrado que lhe fazem e por isso entrarão no seu reino e terão muitos prazeres disponíveis, conquistados pela prova de amor e confiança que demonstraram promovendo a morte de inocentes e a sua própria.

A bem da verdade, por trás da maioria desses preconceitos e levando-se em conta os ataques terroristas dos últimos tempos, há sempre a mão da política interesseira que fanatiza os fiéis a fim de conseguir o que pretendem. Ignoram que todos nossos atos geram consequências que nos atingirão a qualquer momento. Lei de Ação e Reação.  Causa e Efeito. Não há como driblar a Lei Divina.

Amigos leitores, já estamos vivendo o 3º. Milênio. Já estamos cansados de guerras, sangue, ignorância e preconceitos. É o momento de buscar mais sabedoria e cultura espiritual e consubstanciá-las em nosso íntimo. Vivenciá-las. Repudiar todo tipo de julgamento, de intolerância contra nossos irmãos e, principalmente, não esquecer as sempre atuais palavras de Jesus: “Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Lourdes Gagete é autora da Mundo Maior Editora. Publicações: A Quarta Cruz; Tininha, a Gotinha D’ Água em Defesa do Meio Ambiente, Marcados pelo Passado- O Amor Foi Mais Forte.

As Bem-Aventuranças do Evangelho


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As Bem-Aventuranças do Evangelho – V

As Bem-Aventuranças do Evangelho

Mário Frigéri

“Através de todos os tempos conservarão o seu poder as palavras

que Cristo pronunciou no Monte das Bem-aventuranças.”

Ellen G. White1  

“O Sermão da Montanha é a mais notável contribuição do pensamento,

em todas as épocas da história, para a plenitude humana.”

Divaldo P. Franco2

VII – Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Jesus é denominado por Isaías de “Príncipe da Paz” (Isaías, 9:6), e esta é a razão por que todo homem integrado no bem deveria considerar como da mais alta honra transformar-se num autêntico pacificador, pois estaria recebendo essa bênção tão especial do Cristo pela semeadura da paz, que é a de que este mundo mais tem necessitado em todos os tempos. Diz mais Isaías, em 52:7, numa expressão feliz que exalta a sagrada missão dos pacificadores: “Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas novas, que faz ouvir a paz […]”.

Todas as virtudes anteriores – humildade, conformação, mansidão, fome e sede de Justiça, misericórdia e coração puro – são apenas preparatórias e necessárias para que a alma se transforme em operadora da Paz. Os pacificadores são os desarmados de corpo e de alma, que já vivem a paz em seu íntimo e, projetando-a para fora, trabalham com ela no exterior, construindo um mundo mais harmonioso e feliz. Foi certamente olhando os milênios futuros, e antevendo os graves desentendimentos entre as nações, que Jesus estabeleceu essa bênção extraordinária.

Abigail, no Velho Testamento da Bíblia Sagrada, é o exemplo vivo do espírito pacificador apresentado pelo Cristo. Duplamente qualificada pelo escritor sagrado como “sensata e formosa”, essa mulher notável, agindo com intuição, sabedoria e rapidez, livrou sua casa e seus servos de um extermínio anunciado.

Davi estava refugiado nas montanhas daquela região, com mais de seiscentos guerreiros, para fugir à perseguição do rei Saul. Mandou, pois, uma embaixada a Nabal, marido de Abigail, com demonstrações de gentileza e homenagem, solicitando-lhe provisões para seu bando, pois seus homens nunca tinham molestado os servos de Nabal, quando pastoreavam no monte Carmelo, e muitas vezes os haviam protegido da ação de saqueadores.

Nabal, porém, sendo homem duro e maligno (seu nome, em hebraico, significa “sem juízo”), despediu os homens de mãos vazias e ainda praguejou gravemente contra Davi. Este, quando soube da recusa e ofensa, enfureceu-se, e ordenou a seus homens que cingissem a espada e se pusessem a caminho com ele, pois pretendia trucidar, até o amanhecer, todas as pessoas do sexo masculino da casa de Nabal.

Um dos servos desse homem perverso presenciou a injúria de seu patrão e o anunciou a Abigail, que, imediatamente, pressentindo a iminência do perigo que estavam correndo, preparou víveres em grande quantidade, colocou-os sobre jumentos e seguiu com os servos ao encontro de Davi, detendo-o quando já descia o morro, em desabalado tropel, a caminho de sua fazenda.

Apresentou-lhe as dádivas e, prostrando-se, rosto em terra, como humilde serva perante seu senhor, falou-lhe com tanta afabilidade e doçura, empregando palavras plenas de submissão e paz, que o coração dele se abrandou e sua ira se esvaneceu. Davi, então, louvando-lhe a prudência e o espírito pacificador, a despediu em paz e a abençoou em nome do Deus de Israel. (1Samuel, cap. 25.)

 

                                        As duas idades espirituais

Abigail é bem o símbolo da alma que já atingiu a sua maioridade espiritual. E um estudo mais atento do apóstolo Paulo permite-nos dividir os seres humanos, quanto à sua madureza espiritual, em duas classes: os menores de idade e os maiores de idade.

Os menores de idade são os que ainda não se interessam por conhecer a Lei divina e, por isso, evoluem de forma compulsória, aos trancos e barrancos, “por meio da dupla ação do freio e da espora”3, conforme a exigência das circunstâncias. Os maiores de idade são os que se interessam por conhecer a Lei e nela se integram, vivendo diariamente seus mandamentos, conforme a ordenação de Jesus no Sermão da Montanha: “Buscai primeiramente o reino de Deus e sua Justiça e todas as coisas vos serão acrescentadas”. (Mateus, 6:33 – citação contextual, não textual.) Estes se tornam gradativamente um com o Cristo, assim como o Cristo é um com o Pai.

Os primeiros se tornam agressivos, praticando a violência, contra si e contra o próximo, dentro desses quatros níveis: material, moral, mental e espiritual. Na condição de menores de idade, estão submetidos à ação automática da Lei e, por isso, enquanto se mantiverem nessa posição, não têm direito nem acesso à herança destinada aos filhos. Os segundos se tornam pacificadores, praticando a paz e a mansidão em todos os seus níveis. Na condição de maiores de idade, tornam-se dignos de receber e compartilhar o Amor e a Justiça contidos na Lei e, por isso, têm direito e acesso, desde logo, à herança reservada aos filhos.

É o que leciona o apóstolo Paulo, de forma cristalina, quando afirma:

“Digo, pois, que, durante o tempo em que o herdeiro é menor, em nada difere de escravo, posto que é ele senhor de tudo. Mas está sob tutores e curadores até ao tempo predeterminado pelo pai. Assim, também nós, quando éramos menores, estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo; vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!. De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus”. (Gálatas, 4:1/7.)

Essa transição da menoridade à maioridade está bem caracterizada na passagem da Lei de um Testamento para o outro, na Bíblia Sagrada. No Velho Testamento, o Deus da Justiça, com sua sucessão de negações imperativas, usa a palmatória no Decálogo, esculpido em pedra, para evitar que os infantes queimem as mãos no fogo da iniquidade. No Testamento Novo, o Deus do Amor, com sua sucessão de estímulos sugestivos, usa a bênção das Bem-Aventuranças, esculpidas nos corações, para ensinar os adultos a santificarem as mãos nas obras da caridade. Não é fortuito que o Velho Testamento termine com uma palavra – maldição – e o Novo, com uma bênção.

Porque serão chamados filhos de Deus. De acordo com a revelação evangélica, Jesus deu a todos quantos O receberam “o poder de serem feitos filhos de Deus”, a saber, aos que creem no seu nome. (João, 1:12.) Percebe-se, pois, no contexto acima, que somente os que atingem a maioridade espiritual e vivenciam as lições universais do Cristo podem ser considerados, tecnicamente falando, filhos de Deus.

 

Referências:

 1WHITE, Ellen G. O Maior Discurso de Cristo, Prefácio, p. V (PDF disponível na Internet – acesso em 05/03/15).

2Jesus e Vida. Palestra de Divaldo P. Franco gravada em DVD – LEAL.

3KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, 1ª ed. FEB, 2008, p. 196 (tradução de Evandro Noleto Bezerra).

Artigo publicado em Reformador, mensário da FEB, em outubro/15.

 


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A CIÊNCIA DO CORPO E DA ALMA

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 Por JOÃO DEMÉTRIO LORICCHIO

 O Mestre Nazareno nos alertou: Na verdade o Espírito está preparado, mas a carne é fraca. Sabedor que era que o Espírito antes de reencarnar é preparado para uma nova existência nas Câmaras Reencarnatórias, onde mentores especializados preparam grupos de Espíritos merecedores sobre os caminhos e percalços que deverão ser percorridos por cada um na nova jornada.

 Nessas várias reuniões que antecedem o retorno físico são despertos para a nova comunhão familiar que ocorrerá e a necessidade de aconchego de algoz do passado e outros já harmonizados em busca de reequilíbrio e avanço evolutivo.

 Dessa forma outros Espíritos que formarão o novo lar são buscados nas esferas espirituais que se encontram para, também, fazerem parte dessas assembleias para conhecimento do retorno e do novo lar que farão parte. Paralelamente, outros tarefeiros dessa área, além de ajudarem na escolha mais adequada dos futuros corpos físicos, recebem tratamento energéticos em seus Perispiritos, como forma mais adequada para suportarem a nova caminhada terrestre.

 Em desdobramento, por várias vezes, fomos encaminhados para participamos, e também, e levarmos a palavra esclarecedora quanto os esperará na nova caminhada que ocorrerá. Dessas experiências constatamos que o mesmo que ocorrem com eles, Espíritos desencarnados, aqui na crosta terrestre acontece, ou seja, as palestras que frequentamos são, ao contrário dela, preparações para a “morte”, mas do corpo material, na realidade, para a vida imortal do Espírito.

 Isto posto, é bom termos ciência que o nosso corpo físico atual é o que mais necessitamos para a presente existência e a família que possuímos é a melhor para as nossas necessidades evolutivas e, nunca, devemos fugir desses compromissos assumidos do lado de lá, pois, apesar das desavenças e dos transtornos que virão é o melhor para nós.

 Ao retornarmos a este campo progressista iremos na gestação da futura mãe receber as energias adquiridas em nossa existências pretéritas, sutis da evolução conquistadas e densas das carregamos em nosso desencarne no Perispírito, as quais serão filtradas durante nossa caminhada neste novo corpo para serem extirpadas, em definitivo, do Espírito.

 Do exposto, entende-se que as enfermidades individuais, ou até mesmo coletivas através das epidemias regionais ou globais, são para o saneamento do Espírito Imortal, que ficará livre dessas cargas negativas que estavam impregnadas em seus Espíritos. Jesus, o Divino Instrutor, já nos ensinava com as seguintes palavras: Somos escravos de nossos pecados.

 A Ciência já certificou que tudo é energia, a qual dependerá da agregação que iremos dar a ela: negativa ou positiva. Por outro lado, a Doutrina Espírita especifica a existência da Lei de Afinidade e a Lei de Ação e Reação, leis essas que imperam na evolução atual do nosso Mundo Terra, justamente a procura do reequilíbrio de tudo que foi desequilibrado por nós mesmo. Hoje, mais do nunca, estão acontecendo esses fatos através dos inúmeros contágios virais, de doenças ainda desconhecidas, de mortes coletivas e tragédias e calamidades, tudo há mais de dois mil anos anunciados pelo Mestre Divino, para nossos tempos denominados por Tempos Chegados.

 Como vimos em linhas anteriores, na escolha da nova vestimenta carnal, este virá com sua imunologia determinada mais fraca do restante do corpo, o que leva a facilidade dos contágios imperativos para a eliminação das energias negativas do Espírito para o corpo material, assim, livrando-nos desse “peso” espiritual que não nos deixava subir em esferas mais altas, a caminho de Deus.

 Toda mecânica do encarne e desencarne está ligada aqui na Terra, ainda nossa Casa que nos recebe tendo em vista as nossas energias advindas deste planeta. As leis científicas afirmam que nossos corpos são produtos das energias peculiares a este orbe. Por exemplo: Se pegarmos uma rocha e entregarmos a um químico e pediremos para nos revelar de que elementos ela é constituída, receberemos como resposta que na mesma contêm: cálcio, potássio, ferro, sódio, zinco, magnésio, entre outros sais minerais; por outro lado, se formos a uma clínica de análise sanguínea e pedirmos ao analista clínico para retirar alguns milímetros de sangue e nos informar quais são elementos principais que a compõem, teremos como resposta o seguinte: entre outros, cálcio, potássio, ferro, sódio, zinco, magnésio.

 Destarte, explica que somos Filhos da Terra, dessa forma, na gestação do novo corpo físico são atraídos para o mesmo em sua formação, adequado a vivência aqui no planeta, seguindo nossa tese científica, a Genética Espiritual (1) preparada nas Câmaras Reencarnatórias.

 Finalizando esta matéria, outra tese científica nossa: A Ecologia e a Reencarnação (1) contemplam os ensinos de Jesus que nos alertou sobre o cuidado com desequilíbrios materiais e morais, a saber: as paixões, ódios, vícios e, orgulhos, egoísmo, cobiça, inveja, ciúme, entre outros, os quais são energias pertencentes ao nosso mundo mais denso e, ao desencarnar, em hipótese nenhuma, podemos levar impregnados no Espírito, pois essas energias densas vão atrair o Espírito para o reencarne, por serem desse plano mais denso. O Espírito ao levar essas energias não deixa ir para planos mais altos, por estarem sendo atraídos pela gravitação do plano mais denso. Eis porque reencarnamos.

 Por derradeiro lembremos das palavras de dois gênios: “A Ciência sem a Religião é manca e a Religião sem a Ciência é cega”, Albert Einstein; “Somos doentes em laboriosa restauração” e “Todos somos enfermos pedindo alta”, Emmanuel.

 

JOÃO DEMÉTRIO LORICCHIO

 1-CRIMINOLOGIA GENÉTICA ESPIRITUAL, Mundo Maior Editora, nosso livro, SP, 2000

2-A ECOLOGIA E AS CALAMIDADES, Mundo Maior Editora, nosso livro, SP, 2012.


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As Bem-Aventuranças do Evangelho – IV

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Mário Frigéri

“Dia virá em que ele [o Sermão da Montanha] fará parte dos currículos escolares, mostrando que não existe orientação mais segura, nem terapia mais eficiente para os desequilíbrios do comportamento humano do que a aplicação do sublime código moral contido nos princípios apresentados por Jesus.”

Richard Simonetti1

V – Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Misericórdia é termo formado pelas palavras latinas miseratio (compaixão) e cordis (coração), podendo ser traduzida por “coração compadecido”. É o sentimento de compaixão despertado pela miséria alheia (simpatia), a capacidade de sentir o que o outro sente (empatia), e o ato de oferecer os tesouros do coração àqueles que nada têm, por serem “vítimas” da desventura (caridade).

Inúmeras passagens bíblicas referem-se à misericórdia como um doce refluir dos donativos divinos sobre as necessidades da alma. Jesus insiste com seus discípulos na excelência dessa virtude: “Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai”. (Lc. 6:36.) Quando os fariseus censuram os discípulos por violarem a lei, colhendo e comendo espigas no sábado, o Senhor argumenta que os sacerdotes também violam a lei nesse dia e ficam sem culpa. E conclui: “Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes”. (Mt. 12:1/7.)

Os sacerdotes condenavam inocentes pelos motivos mais fúteis, em decorrência dessa violação, tachando-os de sacrílegos e levando-os ao apedrejamento e à morte. Mas pela nova lei revelada pelo Cristo, a misericórdia haveria de sobrepor-se a todos os tipos de punição, estimulando o arrependimento no infrator e concedendo-lhe a oportunidade de expiar e reparar a falta cometida. Ao desfraldar essa bandeira de renovação, Jesus queria eliminar os sacrifícios e holocaustos executados sob o patrocínio da lei mosaica, estabelecendo em seu lugar um novo tempo onde a misericórdia seria o refúgio e a fortaleza da salvação das almas.

A história do homem que descia de Jerusalém para Jericó e quase foi morto por salteadores está imbuída de profunda misericórdia. Abandonado no pó da terra pelos ladrões da estrada, por ele passaram, de largo, sucessivamente, dois homens de grande prestígio em seu tempo, um sacerdote e um levita, não se condoendo nenhum deles de sua miserável situação. Por fim, também passou por ali um “desprezível” samaritano, viu-o e sua alma se encheu de compaixão. Prestou-lhe os primeiros socorros, utilizando-se de óleo e vinho, e, colocando-o sobre o animal, levou-o até uma hospedaria próxima, onde tratou dele com melhores recursos. Tendo, porém, de seguir viagem, entregou algum dinheiro ao dono da hospedaria, pedindo-lhe que cuidasse daquele homem até a sua volta, quando, então, o indenizaria de todos os gastos extras que houvesse feito.

O samaritano fez o que todo homem misericordioso deve fazer: socorrer a quem precisa, sem perguntar pela causa de sua queda, agindo, primeiro e de forma urgente, com os recursos disponíveis no momento e, em seguida, em condições mais favoráveis, com recursos mais adequados. E não dar apenas de seu coração, mas também de seu bolso, como fez o samaritano, envolvendo o dono da hospedaria no tratamento, adiantando-lhe recursos e prometendo outro tanto, se necessário, quando voltasse. O samaritano só iria sentir que seu serviço estava completo quando visse o socorrido completamente restaurado.

Jesus contou essa parábola a um doutor da lei que lhe perguntara: “Quem é o meu próximo?”. E ao concluí-la, perguntou-lhe: “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?”. O doutor da lei respondeu: “O que usou de misericórdia para com ele”. Jesus, então, concluiu: “Vai e procede tu de igual modo”. (Lc. 10:25/37.)

Jesus tinha em vista, nessa narrativa, dois objetivos: quebrar o preconceito dos judeus contra os samaritanos, porque (ao contrário dos dois nobres vultos judeus citados) foi um samaritano que usou de misericórdia para com aquele infeliz; e, ao mesmo tempo, abrandar a dureza de seus corações no relacionamento com o próximo.

Porque alcançarão misericórdia. A misericórdia humana produtiva é a que se espelha na Misericórdia divina e está sempre em marcha, na assistência à miséria comum, tendo à frente a caridade como iluminadora de caminhos.

 VI – Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.

Ou “puros de coração”, em outras traduções. É imperioso recordar aqui a oração do salmista: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável”. (Sl. 51: 10.) De todas as virtudes espirituais a serem conquistadas pelo Vencedor – aquele que venceu a sim mesmo –, esta é certamente uma das mais difíceis.

Quando se trata de purificar a alma, é de rigor trazer à cena, também, a expressão latina: In medio stat virtus (a virtude está no meio). Jesus, sendo o paradigma do equilíbrio perfeito, não podia estabelecer metas inalcançáveis ao espírito humano. Como, porém, o mal se espalhava com furiosa agressividade em seu tempo, o Mestre extrapolava no contraste para reequilibrar o fiel da balança.

Dizer que “Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno” (Mt. 5:29), é hiperbolizar ou exagerar o conceito para chocar e despertar as consciências entorpecidas. Erigir em adultério o simples olhar que, com intenção menos digna no coração, um homem lança a uma mulher (Mt. 5:28), é estabelecer um princípio inovador, mas situá-lo de forma quase inalcançável nas estrelas. Há mérito em não se realizar o que se deseja, quando esse desejo se contrapõe aos mandamentos divinos, como o Cristo ensinaria mais tarde, no século XIX, através do Consolador, repondo agora em seu justo equilíbrio a lição controversa:

“641. O desejo do mal é tão repreensível quanto o próprio mal?

“Conforme. Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseja praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer a esse desejo. Se, porém, faltou apenas ocasião para isso, o homem é culpado.”2

Quando os fariseus questionaram o Cristo a respeito de seus discípulos não lavarem as mãos ao se alimentarem, Jesus reuniu a multidão e, a fim de dar uma orientação pública a respeito, disse que não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca. Vendo que os fariseus se escandalizaram, os discípulos perguntam ao divino Mestre o significado dessas palavras, e Ele esclarece:

“Também vós não entendeis ainda? Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre e, depois, é lançado em lugar escuso? Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos não o contamina”. (Mt. 15:1/20.)

O mesmo conceito é retomado no capítulo 14 do Apocalipse, onde é apresentada uma cena majestosa, em que o Cordeiro de Deus se encontra sobre o monte Sião, tendo a seu lado os cento e quarenta e quatro mil que foram “comprados da terra”, ou seja, redimidos dentre os homens, por serem castos, em virtude de haverem vivenciado as Bem-Aventuranças de Jesus: “[…] São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro; e não se achou mentira na sua boca; não têm mácula”. (Ap. 14:4/5.)

De tudo isso se conclui que pureza de coração é fruto da reeducação espiritual do homem. E o Evangelho é o código moral trazido por Jesus à Crosta terrestre exatamente para essa finalidade: instituir o Homem Novo, de que nos fala o Ministro Aniceto, em Nosso Lar,3 ou, como ensina Paulo, nos despojar “do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano”, e nos revestir “do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”. (Ef. 4:22/4.)

O coração do homem purificado é uma fonte de água viva a jorrar para a Vida eterna. (Jo. 7:38.) É preciso, portanto, proteger com o máximo desvelo essa nascente, porque dela promanam o bem e o mal que podem levar o homem à salvação (outro nome para regeneração) ou à perdição (outro nome para exílio).

Porque verão a Deus. Se “ninguém jamais viu a Deus”, como afirma João, no Evangelho (Jo. 1:18), porque Deus “habita em luz inacessível”, como revela Paulo (1Tm. 6:16), podemos imaginar, então, a que alturas insondáveis o Cristo exaltou os limpos de coração, porque, de todos os bem-aventurados, são eles que verão a Deus face a face. Mas é preciso estabelecer, com bom senso e seriedade, um justo equilíbrio entre a trajetória a ser percorrida, cheia de tropeços, e a meta a ser alcançada, plena de luz, para não esmorecer os que se encontram nos caracóis do caminho. É o que podemos deduzir das luminosas lições do Evangelho, quando estudadas com a sabedoria da inteligência e a ternura do coração.

Referências:

 1A Voz do Monte. Richard Simonetti, 9ª ed. FEB, 2010, p. 10.

2O Livro dos Espíritos. Allan Kardec, 1ª ed. FEB, 2006 (tradução de Evandro Noleto Bezerra), p. 370.

3Os mensageiros. André Luiz/Francisco C. Xavier, 11ª ed. FEB, 1978, p. 18.

Artigo publicado em Reformador, mensário da FEB, em setembro/15.

 

 

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A QUESTÃO DA REENCARNAÇÃO DOS ANIMAIS

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Por Ivany Lima- Apresentadora do Programa Nossos Irmãos Animais na Rádio Boa Nova

 Revista Espírita de 1858, mês de agosto, item as habitações do Planeta Júpiter:

“É o caso dos Espíritos animais que povoam Júpiter ; se aperfeiçoaram ao mesmo tempo em que nós, conosco e com a nossa ajuda. A lei é mais admirável ainda: ela faz tão bem do seu devotamento ao homem a primeira condição para a sua ascensão planetária, que a vontade de um Espírito de Júpiter pode chamar para si todo animal que em uma de suas vidas anteriores, lhe haja dado provas de afeição. Essas simpatias que formam , no Mais Alto, famílias de Espíritos, agrupam também, ao redor das famílias, todo um cortejo de animais devotados.”

Queridos amigos

Vemos nessa passagem linda que os animais podem seguir conosco por várias encarnações. Os laços de amor que temos com eles, não são destruídos pela reencarnação. Não sabemos quanto tempo eles irãodemorar para reencarnar porque depende da evolução de cada um. Não sabemosse vem na nossa família , se vem na mesma espécie , ou em outra , se vão para outros mundos . Só quem sabe são os espíritos que cuidam deles. São os bons espíritos que programa a reencarnação dos animais. O importante é que eles não nos esquecem e nós também não o esquecemos. Eles também não sofrem com a separação. Deus na sua infinita misericórdia, não os deixam sozinhos  e a vibração de amor desses espíritos zoófilos é tão grande , que eles sentem esse amor e não sofrem . E como dizia o amigo Chico Xavier: “Quando amamos muito os nossos animais,  os espíritos amigos os trazem de volta para que não sintamos sua falta “ . Eles podemser trazidos até nós para nos visitar . Os laços de família são cada vez mais fortalecidos através das reencarnações. Os animais fazem parte da nossa família espiritual. O dia que compreendermos que os animais são nossos irmãos, estaremos enfim aprendendo a amar.

Para quem quiser se aprofundar no assunto,  o livro “ Todos os animais merecem o céu “, do Médico Veterinário espírita , Marcel Benedeti é uma excelente leitura .